quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O Egito: História

O Egito Antigo foi uma das maiores civilizações da Antiguidade, que surgiu a partir de aldeamentos agrícolas no vale do rio Nilo, na África, em cerca de 4000 a.C. Os antigos chamavam seu país de Kemet, que significa negro (por causa da terra).

Muitos dos ideais e crenças modernos, assim como grande parte do conhecimento sobre o homem, tiveram origem no Egito. Lá se desenvolveu o primeiro tipo de governo nacional do mundo. A religião foi uma das primeiras a enfatizar a existência da vida após a morte. Os egípcios produziram uma arte e uma literatura expressivas, introduziram a arquitetura de pedra e fabricaram o primeiro material adequado para a escrita, o papiro.
A TERRA E SUAS RIQUEZAS

Localização e Tamanho. As fronteiras do Egito antigo mudaram no decorrer da história. Quando formado, por volta de 3100 a.C., o reino do Egito ocupava apenas o fértil vale do rio Nilo no nordeste da África, numa faixa estreita que ia do Mediterrâneo à primeira catarata do rio, cobrindo uma área de cerca de 21 mil km2 - um pouco menor que o estado de Sergipe. No auge de seu poder, por volta de 1450 a.C., o Egito dominava um império que se estendia para o sul até a quarta catarata, situada na Núbia (atual Sudão), e para o nordeste até o rio Eufrates, na Ásia Ocidental.

Riquezas Naturais. O solo negro que as enchentes do Nilo deixavam a cada ano dava aos egípcios uma terra fértil. Por isso, o historiador grego Heródoto chamou o Egito de dádiva do Nilo. Os egípcios dispunham de sal, granito, arenito, cobre, manganês, turquesa, berilo, ouro, gipsita e fosfato. Não tinham florestas.

Clima. Em toda a longa história do Egito, seu clima seco pouco se modificou. Quase não havia chuvas. A irrigação da terra árida dependia das enchentes anuais de verão do rio Nilo.
POPULAÇÃO

Os historiadores acreditam que a população do Egito variou entre 1 e 8 milhões de habitantes. Na época romana, seriam cerca de 6 milhões.

Dividiam-se em quatro classes sociais: realeza e nobres; artesãos, artífices e mercadores; trabalhadores; e escravos. O exército profissional tornou-se aos poucos uma classe separada. A estrutura social não era de castas: uma pessoa pertencente à classe mais pobre podia ascender aos mais altos cargos do país.

Língua. Os antigos egípcios falavam uma língua que continha palavras do grupo de idiomas semíticos do sudoeste da Ásia e também dos idiomas cuxita e berbere do norte da África.
A escrita egípcia era composta de hieróglifos. Ela começou a ser decifrada por Jean-François Champollion, que estudou um fragmento de basalto chamado Pedra de Roseta, com inscrições em grego, demótico e hieróglifos.

Vida Familiar. Os egípcios eram um povo ligado à família. Nos primeiros tempos, o marido governava a família, mas depois a mulher conquistou posição igual.

Moradia. Os mais pobres viviam provavelmente em cabanas de barro ou de tijolos secos ao sol, cobertas com folhas de palmeira ou palha. Os ricos construíram espaçosas casas de tijolo e madeira, decoradas com mobílias luxuosas, como tapetes, arcas de ébano e vasos de cobre e de ouro.

Alimentação. A dieta comum da maioria dos egípcios consistia de pão de cevada, peixe, verduras e cerveja. Em dias de festa, saboreavam-se frutas, carne (boi, vitela, antílope e gazela) e vinho.

Vestuário. De início, os homens vestiam apenas um daiu - tanga branca de algodão ou linho. Mais tarde, passaram a usar tangas maiores, saias ou aventais. Os egípcios mais ricos acrescentavam a esse traje uma camisa transparente ou um casaco.

As mulheres egípcias usavam vestidos de alça retos e justos, que iam do peito aos tornozelos. Mais tarde, acrescentaram mantos coloridos com bainhas bordadas. Enegreciam as sobrancelhas e contornavam os olhos com um pigmento verde. Pintavam os lábios de vermelho e usavam uma tintura extraída da planta hena para colorir as unhas de amarelo ou laranja.

Vida na Cidade. Os antigos egípcios edificaram a maioria das aldeias e cidades às margens do Nilo. Mênfis, que ficava a 19 km ao sul do Cairo, foi o primeiro centro de governo egípcio. Por volta de 2100 a.C., a capital foi mudada para Tebas, a 640 km ao sul do Cairo, aí permanecendo até 1300 a.C.

Os soberanos do Egito antigo construíram imensos templos e sofisticados palácios no centro das cidades.
TRABALHO

A maioria dos antigos egípcios vivia da agricultura. Alguns trabalhavam nas minas e nas pedreiras, outros eram artífices, comerciantes ou soldados. Os agricultores egípcios aravam e semeavam os campos férteis assim que passavam as cheias do Nilo. Conseguiam duas ou três colheitas por ano. Plantavam cevada, linho e trigo. Cultivavam hortaliças, como feijão, repolho, pepino, alface e rabanete; colhiam também melões e outras frutas.

Comércio e Transporte. Os navios egípcios cruzavam todo o Mediterrâneo para fazer comércio e conquistar terras. Viajavam aos portos do Mar Egeu, à Palestina, à Fenícia, à Síria e à terra dos hititas, na Ásia. Ao sul, negociavam com os povos da costa oriental da África. Por terra, as caravanas egípcias faziam expedições ao Sudão.

Os negócios eram feitos à base de troca de mercadorias: cobre, cereais, linho, papiro e pedras de grão fino por madeiras, como o cedro, o cipreste, o abeto e o pinho do Líbano.

CULTURA E RELIGIÃO

Educação. A maioria dos meninos egípcios aprendia seu ofício com os pais ou como aprendiz nas várias profissões. Os meninos de família rica ou real eram instruídos para que se tornassem sacerdotes ou funcionários do governo.

A Religião estava sempre presente na vida do Egito antigo. Os egípcios acreditavam que deuses e deusas participavam de todas as atividades humanas, do nascimento à morte.

À medida que evoluiu, cada cidade adotou uma divindade especial. Numa parte do delta, a população adorava Hórus, o deus do céu. Em outro local, as pessoas cultuavam Osíris, o deus da vegetação, que mais tarde se tornou deus dos mortos.

Heliópolis (cidade do sol, em grego), perto do Cairo, era o centro do culto de Rá, ou Rê, o deus do sol. Entre outros membros da família divina de Rá estavam Osíris e sua mulher, Ísis; Set, o irmão maligno de Osíris, e sua mulher, Néftis; Shu, deus do ar; Tefnut, deusa da umidade; Geb, deus da terra; e Nut, deusa do céu.

A população de Tebas adorava Amon, o deus do ar e da fertilidade. Depois que Tebas foi transformada no centro político do império, Amon tornou-se a divindade principal. O povo passou a identificar Amon com o deus do sol, Rá, e assim Amon ficou conhecido como Amon-Rá.

O povo do Egito antigo dava grande importância à preparação para a vida depois da morte. Por isso, construía túmulos de pedra e os enchia de roupas, alimentos, mobília e jóias, para que fossem usados no outro mundo. Embalsamava os mortos e envolvia seus corpos com pano. Esses corpos preservados são chamados de múmias.

As Artes alcançaram pleno desenvolvimento bem cedo na história do Egito, sempre influenciadas pela religião. A literatura egípcia abrangia uma grande variedade de assuntos, de hinos a contos de fadas.

A maior realização egípcia no campo da arquitetura foram as pirâmides (monumentos). A Grande Pirâmide de Gizé possui cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra, que pesam aproximadamente 2.300 kg cada um.

Inicialmente, as pinturas e os relevos tinham uma aparência achatada, e as estátuas pareciam quadradas. O desenvolvimento artístico, político e religioso do final do séc. XIV a.C. deu origem a um novo tipo de arte egípcia, com obras mais vivas e naturais.

Ciências. Os egípcios empregavam um sistema decimal que não tinha o zero. Multiplicavam e dividiam números inteiros, reduziam frações simples, faziam a medição de terras e eram capazes de determinar áreas e calcular o volume dos objetos.

Eles também foram também pioneiros no campo da astronomia. Sabiam distinguir os planetas das estrelas e criaram o calendário de 365 dias.

GOVERNO

Os antigos egípcios acreditavam que seu rei, o faraó, era uma divindade, e, como tal, ele era um governante absoluto. O Egito antigo sempre foi uma teocracia (forma de governo na qual pessoas que se intitulam representantes de divindades exercem o poder). O governo arrecadava um imposto pago em mercadorias e outro sob a forma de trabalho, a corvéia, que lhe fornecia soldados e mão-de-obra.
HISTÓRIA
Período Tinita (cerca de 3150 a.C. a 2700 a.C.) - I e II dinastias

A história do Egito faraônico começa com o rei Menés, responsável pela unificação entre o Alto e o Baixo Egito e pela fundação de Mênfis, a capital do Império. Interlocutor dos homens com os deuses, Menés ostenta a coroa branca do Alto Egito (hedjet) e a coroa vermelha do Baixo Egito (deshret).

Antigo Império (por volta de 2700 a.C. a 2140 a.C. ) - III e IV dinastias

Nesta época, o Estado egípcio se desenvolve consideravelmente e a sua administração centraliza-se na figura do faraó, que passa a ser venerado como verdadeiro deus. Djoser inaugura a III dinastia (cerca de 2700 a.C.). Seu conselheiro, o arquiteto Imotep, constrói a pirâmide em degraus de Saqqara, a primeira tumba real com essa forma arquitetônica.

A IV Dinastia é marcada por reinados nos quais foram construídas as três grandes pirâmides de Gizé - Queóps, Quéfren e Miquerinos. Esses complexos funerários são o símbolo de um Estado forte e de uma civilização avançada.

É na V Dinastia (aproximadamente 2480 a.C. a 2330 a.C.), originária de Heliópolis, que se verifica o culto ao Sol, o que não significa a rejeição aos outros deuses. O faraó é agora o "filho de Rá", o deus-sol.

Pepi I, representante da VI dinastia, reina por mais de 50 anos. Ele é também um grande construtor de pirâmides (Bubastis, Abydos, Dendérah). Pepi II sobe ao trono aos seis anos de idade e nele permanece por 94 anos.

Primeiro Período Intermediário (por volta de 2140 a.C. a 2040 a.C) - VII-X dinastias

Uma revolução, seguida pela invasão de povos asiáticos, põe fim à VI dinastia. Porém, nenhum nome dos reis da VII dinastia é conhecido. A VIII dinastia, a menfita, cuja capital era Mênfis, demonstra os sinais da decadência política do Egito. O país é dividido em três: o Delta, o Egito Médio - cujo centro político era Heracléopolis - e o Alto Egito, agrupado em Tebas. Inicia-se um período de anarquia e de recessão econômica (escassez de alimentos, desordem civil e violência). Uma série de conflitos ininterruptos entre as facções do sul (de Tebas) e do norte (Heracléopolis) ocorrem e cessam apenas na XI dinastia.

Médio Império (por volta de 2040 a.C. a 1750 a.C.) - XI e XII dinastias

Mentuotep II, rei de Tebas, reunifica o Egito (aproximadamente em 2020 a.C.). Mas são os soberanos Amenemés e Sésostris (XII dinastia, por volta de 1900 a.C. a 1790 a.C.) que conduzem o Império ao seu apogeu. A expansão comercial abre-se para o mar Vermelho, mar Egeu, Fenícia, Núbia e Delta, e o país conhece a prosperidade econômica. Dessa época, há vários manuscritos literários, textos de instruções, profecias e contos.

Segundo Período Intermediário (1750 a.C. a 1560 a . C. ) - XIII-XVII dinastias

Nas XIII e XIV dinastias, o Império passa por um processo de declínio. Vulnerável e enfraquecido, sucumbe à tomada do poder por invasores estrangeiros. As XV e XVI dinastias são marcadas pelo domínio dos hicsos, chamados de reis pastores ou príncipes do deserto. O domínio estrangeiro trouxe muitas inovações técnicas para o Egito. Os hicsos introduzem a utilização do bronze, da cerâmica e dos teares, diferentes instrumentos de guerra, que incorporam o uso do cavalo e das carruagens, e estilos musicais, assim como novas raças de animais e técnicas de colheita. De certa forma, os hicsos modernizaram o Egito. Na XVII dinastia, a partir de Tebas (sul do Egito), os monarcas empreendem a reconquista do país, definitivamente concluída por Ahmose, que inaugura o Novo Império.

Novo Império (por volta de 1560 a. C. a 1070 a . C ) - XVIII-XX dinastias

Predomina na XVIII dinastia a intenção de expandir o império rumo à Ásia. O faraó Ahmose (em torno de 1560 a.C. a 1526 a.C.) organiza uma administração hierarquizada, dirigida pelo vizir, segundo homem do Estado. Sob os governos de Thutmose III (cerca de 1490 a.C. a 1436 a.C.) e Hatshepsut (1490 a.C. a 1468 a.C.), o Egito se torna uma temível potência militar. O enriquecimento do país é perceptível em todas as classes da sociedade, que aprende a gostar das artes e a ostentar o luxo. Dentre as construções da época, constam os templos funerários de Deir el-Bahari, de Luxor e de Karnak e o de Amenófis III (aproximadamente 1402 a.C. a 1364 a.C.).

O faraó Amenófis IV, ou Akhenaton, (por volta de 1364 a.C. a 1347 a.C.) transfere a capital de Tebas para Amarna. Ele impõe uma nova religião, dedicada ao culto do deus único Aton. O governante que o sucede é Tutankhamon (em torno de 1347 a.C. a 1338 a.C.), que retorna a sede do governo para Tebas, onde reincorpora o culto a Amon-Rá.
A XIX Dinastia é o período dos constantes conflitos entre egípcios e hititas. Ramsés II (em torno de 1290 a.C. a 1224 a.C.) trava, contra o rei hitita Mouwatalli, a célebre batalha de Kadesh. É a época das grandes construções, o hipostilo de Karnak, o templo de Abu-Simbel e o templo de Medinet Habu. Sob a XX dinastia (cerca de 1185 a.C. a 1070 a.C.), o país se fragmenta. O grande sacerdote de Amon, Herihor, assume o trono.

Terceiro Período Intermediário (aproximadamente de 1070 a.C. a 715 a.C.) - XXI-XXIV dinastias

Nesta época, o Egito é dividido em dinastias locais cada vez mais independentes. O único fato notável em política exterior é a conquista da Palestina por Chechanq I (945).

Período Inferior (715-332) - XXV-XXXI dinastias

A conquista do Egito, em torno de 740 a.C., por um rei núbio, cujos sucessores instauram uma dinastia "etíope", chamada de koushita (XXV dinastia, de 715 a.C. a 664 a.C.), revela a decadência do império. Após o recuo dos etíopes para o sul, a XXVI dinastia (ou período saita, de aproximadamente 664 a.C. a 525 a.C.) é marcada pelo reinado de Psammetik I (664-610). Ele expulsa os assírios e, assim, consegue estabilizar o país. Seu sucessor, Necau, exerce a mesma política.

A XXVII Dinastia (cerca de 525 a.C. a 404 a.C.) marca o início da dinastia persa. Ela começa com a conquista do Egito por Cambises. Com a morte de Dario II, em 405 a.C., os egípcios reconquistam a sua independência. Amirteu, faraó da XXVIII dinastia, expulsa os persas. Mas a XXIX e a XXX dinastias são marcadas por brigas políticas por sucessão.

Nectânabe é o último rei nativo. Os persas realizam nova investida ao território egípcio. Tomam a capital Mênfis, após a batalha de Pelusa. É a queda do último faraó egípcio.
A segunda dominação persa (por volta de 343 a.C. a 332 a.C.), de Artaxerxes III até Dario III, parece ter sido um período difícil para os egípcios. Assim, Alexandre da Macedônia, ao derrotar Dario, é considerado um libertador do Egito. Alexandre, considerado filho de deus (e faraó), funda Alexandria no delta do Nilo (332 a.C.).
Dinastia Ptolomaica (305 a.C. a 30 a.C.)

Após a morte de Alexandre, o Grande, seus generais dividiram entre si o Império, estabelecendo o sistema de satáprias. Ao Egito coube a influência de um dos melhores generais de Alexandre, Ptolomeu, que governa entre 305 a.C. e 282 a.C. Ele constrói o farol e a biblioteca de Alexandria. A partir de Ptolomeu IV, as intrigas familiares enfraquecem a dinastia.

Em 51 a.C., o governo egípcio passa para a filha de Ptolomeu XII, Cleópatra, que é a última rainha do Egito (de 51 a.C. a 30 a. C.) Por interesses políticos, ela se casa com o imperador romano Júlio César, que coloca o Egito sob proteção de Roma. Após o assassinato de César, a rainha se casa com o general romano Marco Antonio, um dos membros do triunvirato que sucede César no poder do Império Romano, o que desperta a ira e a inveja de outras forças de Roma. Em conseqüência, Octávio se autoproclama imperador de Roma e decide invadir o Egito.
Em 30 a.C., na batalha do Ácio, os exércitos comandados por Cleópatra e Marco Antonio são derrotados pelas forças romanas. Quando Otávio, vencedor, entra em Alexandria, Cleópatra e Antonio se suicidam. O Egito torna-se província romana.

NKHESENPEPI II, A PRIMEIRA RAINHA IMORTAL DE MÊNFIS

Os Textos das Pirâmides da necrópole de Mênfis não estavam
reservados unicamente aos reis. Arqueólogos descobriram recentemente a tumba da primeira rainha que se beneficiou desse privilégio, garantia de imortalidade.

Desde 1963, sob a orientação do professor Jean Leclant, a missão arqueológica francesa de Saqqara (aldeia do Egito ao sul do Cairo, na margem oeste do Nilo), realiza pesquisas nas pirâmides sobre os textos da necrópole real de Mênfis. No fim do século passado, foram descobertos nelas, os famosos Textos das Pirâmides (Gaston Maspero), destinados a assegurar a imortalidade do rei.

Durante mais de 20 anos, de 1966 a 1988, no sul de Saqqara, a pirâmide e o templo funerário do rei Pepi I, célebre soberano da VIa dinastia (por volta de 2300 a.C.), foram escavados, estudados e restaurados.
Entrada do Grande Templo de Abu Simbel;

Os trabalhos desenrolaram-se com o seu quinhão habitual de surpresas - foram descobertos os vestígios de seis pirâmides até então totalmente desconhecidas, possibilitando a ampliação dos conhecimentos sobre a família real dos soberanos da última dinastia do Antigo Império.

Ao contrário do faraó, impedido por sua natureza divina, a rainha revelava em sua tumba os laços familiares terrestres. Por ordem de importância, ela afirma em primeiro lugar seus elos de descendência ("a mãe do rei"), em seguida seu elo matrimonial ("a esposa do rei") e, por fim, afirma eventualmente sua ascendência ("a filha do rei, de seu corpo"). Esses marcadores sociais são indispensáveis para entender a continuidade monárquica. O menor fragmento de texto relativo a uma rainha é essencial para tentar discernir melhor um encadeamento histórico.

Até a descoberta de suas pirâmides, nada se sabia sobre as tumbas das esposas de Pepi I. Os únicos elementos atribuíveis a uma rainha provinham de elementos reempregados no templo funerário do rei e referiam-se à rainha Sechséchet, mãe de Teti. Em dez campanhas de escavações, quatro esposas de Pepi I foram reveladas com as pirâmides de Inenek e Noubounet e com menções à rainha Méhaa, mãe do príncipe Horneterikhet, e a uma "filha primogênita do rei". Há também as pirâmides de duas outras rainhas de gerações posteriores, Ankhesenpepi III, uma esposa de Pepi II, e Meretités II, esposa de um rei Néferkarê. Por fim, há a menção a uma rainha Nedjefet em blocos esparsos. Resta ainda descobrir seis tumbas de rainhas.

A última campanha de escavações da missão francesa, realizada no início do ano 2000, coroou de maneira extraordinária os resultados já obtidos, com a descoberta crucial de Textos das Pirâmides na tumba da rainha-mãe Ankhesenpepi II. Esse privilégio de imortalidade, aparentemente reservado até aqui ao rei, surge pela primeira vez vinculado a uma esposa real. A personalidade da rainha Ankhesenpepi II, esposa de dois reis, mãe de um terceiro e regente do reino, uma mulher de inegável destaque nessa época, pode ter contribuído largamente para o fato.
Os Textos das Pirâmides

Descobertos em 1880 pelo egiptólogo francês Gaston Maspero, eles constituem a mais antiga compilação de preceitos religiosos da humanidade. Os textos são uma série de fórmulas mágicas destinadas a assegurar a ressurreição do soberano: o rei pode transformar-se em pássaro, estrela etc. Muitas inscrições permanecem inéditas.
Uma nova tecnologia nas escavações

A busca de um monumento mal localizado pode acarretar pesados fardos. Todo canteiro de escavações envolve consideráveis remoções de terra: na ausência de investigações prévias, muito tempo e recursos correm o risco de ser desperdiçados. Foi preciso recorrer a novos métodos geofísicos, que foram aplicados pela primeira vez na egiptologia: em 1987 a equipe do Mecenato Tecnológico de Eletricidade da França ofereceu ajuda à pesquisa, assim como o grupo da Companhia de Prospecção Geofísica Francesa. Essas equipes puderam fornecer à missão uma ajuda tecnológica a partir de importantes resultados obtidos com as várias sondagens do subsolo realizadas na época da construção de barragens. Para isso, engenheiros e arqueólogos trabalharam em conjunto, utilizando os resultados de várias tecnologias simultaneamente - eletromagnetismo, sondagens elétricas em ondas curtas, baixa freqüência e análise pelo magnetômetro de prótons das variações do campo magnético terrestre. Após uma semana de medições efetuadas no deserto, cinco locais que podiam conter estruturas de pedra, correspondendo a esquemas prováveis, foram indicados aos egiptólogos. Pouco depois, uma sondagem revelou o ângulo de uma pequena pirâmide conservada em uma altura de três andares.

A Turbina do Egito
Um dos objetos mais intrigantes do mundo, que ainda não foi explicado pelas teorias convencionais da história humana, é a chamada “turbina do Egito”. A peça, atualmente em exibição no Museu Egípcio do Cairo, foi encontrada na localidade de Saqqara, em 1936. Brian Walter Emery, um respeitado egiptólogo, estava no local, fazendo escavações na tumba do príncipe Sabu, nas margens do delta do Rio Nilo, quando encontrou o objeto. A “turbina” foi feita com material desconhecido, de difícil manipulação, até mesmo para as ferramentas modernas, por contar com três camadas superpostas, bastante rígidas.
Esta improvável “turbina” foi construída, de acordo com sua catalogação científica, há mais de 5.000 anos no Egito, ou seja, segundo a história, 1500 anos antes da invenção da roda. Ela possui 61 centímetros de diâmetro e um desenho bastante aerodinâmico. Sua disposição trilobular é a mesma usada atualmente na engenharia naval, em turbinas de navios e usinas de energia. Mas a questão é: como é possível explicar esse objeto, construído milhares de anos antes de qualquer evolução tecnológica? Teria o mundo um passado remoto semelhante ao nosso presente, com barros, motores e indústrias? E, se esse passado existiu, o que aconteceu com ele? E se não, como foi possível a construção deste objeto, uma turbina de dimensões tão precisas, com um material tão complexo? E mais curioso ainda: por que existe apenas uma?
Algumas hipóteses tentam explicar o conflito histórico. Dentre elas, há quem defenda que o objeto era utilizado como um artefato para queimar incenso, e sua forma seria apenas uma feliz coincidência. Se é assim, por que este objeto foi colocado perto do túmulo de um faraó? Diante de tantas perguntas e poucas explicações, as teorias sobre alienígenas ancestrais também são apresentadas como respostas por muitos que acreditam na vinda de civilizações extraterrestres ao nosso planeta. 
O Egito: Akhenaton, o Faraó monoteísta
Muito antes da vinda de Jesus Cristo, precisamente no Antigo Egito, XVIII Dinastia, um personagem maravilhoso deixou as suas profundas marcas no caminhar evolutivo e espiritual do nosso planeta.

Akhenaton ou também chamado de Aquenáton (seu nome inicial era de Amenotep IV ou, na versão helenizada, Amenófis IV) foi um grande faraó da XVIII Dinastia egípcia, que governou por 16 anos, de 1352 a 1336 a.C. Foi muito importante para a história do Egito, pois durante seu reinado tentou realizar diversas mudanças na cultura egípcia.

Akhenaton era sempre representado com o disco solar de Aton e os seus braços que o protegiam. Akhenaton tentou representar o faraó não como um simples mortal, mas a de um verdadeiro profeta de Aton e o intermediário entre o seu deus e os homens.


Akhenaton tornou-se rei aos quinze anos por volta de 1364 a.C., e como um grande faraó da XVIII Dinastia Egípcia, criou pela primeira vez na história da humanidade a noção de um Deus único – Aton, representado pelo disco solar.

Demonstrou também coragem para romper com algumas tradições impostas ao faraó, dentre elas, a de se casar com uma mulher sem origem na realeza, mas sim de origem modesta. O faraó idealizava a formação de uma religião universalista, privilegiando em seu reinado o culto de Aton, apesar da forte influência de Tebas e seu deus Amon, o que certamente influenciou em muito a formação do pensamento de Akhenaton. Mais tarde, ainda vivo e durante o reinado de seu filho, Amenófis III apoiou as mudanças profundas promovidas por ele.

Muito antes dos faraós, a história egípcia conta que deuses desceram dos céus em suas esferas voadoras. Esses deuses Neteru, Iris e Ísis vieram da constelação de Órion, da estrela de Sírius. Todos eles possuíam algo em comum: a cabeça alongada.

O curto mais importantíssimo reinado de Akhenaton, foi sempre envolto em muitos mistérios, muito por conta das grandes transformações propostas por ele na cultura egípcia.


Assim como em diversas culturas antigas, na cultura egípcia também foram encontrados crânios deformados/alongados. Akhenaton, teria uma cabeça estranhamente alongada. Os antigos faraós diziam proceder da linhagem direta dos deuses, e essa seria uma das evidências físicas dessa descendência divina, no caso de Akhenaton.

A característica do crânio alongado continuou pelas Dinastias. Na décima oitava do Império Novo surge Akhenaton, um faraó que iria mudar para sempre Egito, as escrituras narram que este era um faraó que também havia descido das estrelas.

Da mesma forma que nas regiões das culturas pre-colombinas foram encontrados crânios anômalos, na antiga cultura egípcia um dos maiores faraós Akhenaton, que reinou de c. 1353 a 1338 a. C, é representado com uma cabeça estranhamente alongada. Os antigos faraós do Egito, diziam proceder da linhagem direta dos Deuses. Pode manifestar-se neste faraó a genética dos Deuses, o DNA dos Elohim?


À direita imagem de Akhenaton e à esquerda imagem de Nefertiti. Os “cientistas” não podem explicar estas características físicas, então tentam encaixar Akhenaton numa síndrome denominada de “Marfan”. Esta síndrome produz alargamento das feições e do crânio, rasgos femininos e uma clara infertilidade. Mas é bem sabido, que o faraó teve pelo menos meia dúzia de filhas e aqui é onde não encaixa a história oficial.



Representação da família real, Akhenaton e Nefertiti com 3 de suas filhas, que também apresentaram a anomalia de alargamento do crânio. Uma vez mais a ciência oficial, em pleno século XXI, é incapaz de explicar as causas de ditos fenômenos.



Isto é o que acontece quando comparamos um dos crânios da região pre-colombina e uma estátua do crânio de Nefertiti, mãe da estirpe real faraônica, descendente direta dos Elohim. As formas encaixam e as evidências também.

Da mesma forma que Akhenaton, sua esposa Nefertiti tinha um crânio estranhamente alongado (Nefertiti seria na verdade prima de Akhenaton, e o casamento de ambos teria sido realizado cumprindo o desejo da mãe de Akhenaton), fruto de sua herança genética. O faraó possuía outras características físicas estranhas, tinha um corpo afeminado. Ele é considerado um ser andrógeno por aqueles que defendem a teoria de que Akhenaton seria um descente direto do Deuses.

Akhenaton mudou a capital do Egito, que antes do seu reinado era Tebas, para uma nova cidade que mandou erguer à qual nomeou de Akhetaton (ou Amarna).

Porém a mudança mais marcante realizada por Akhenaton foi na parte cultural/religiosa, quando destituiu o culto ao deus Amon e privilegiou o culto ao deus Aton, assim também tentando empregar uma cultura religioso monoteísta.



Akhenaton também mudou a arte egípcia. O seu reinado assistiu à emergência da chamada "arte amarniana", que se caracteriza por um lado pelo naturalismo (abundância de plantas, flores e pássaros) e pela convivência familiar do faraó e por outro lado, por uma representação mais realista das personagens (até então os faraós eram sempre representados como figuras esbeltas e de ombros largos, verdadeiras divindades entre os humanos, mas na arte amarniana o faraó era representado com formas mais realistas), por vezes as representações atingiam o ponto da caricatura. A arte oficial apresenta o rei com uma fisionomia andrógina, com um crânio alongado, lábios grossos, ancas largas e ventre proeminente.

Akhenaton, o Faraó que foi um verdadeiro Príncipe da Paz, deixou-nos um importante legado espiritual, plenamente válido e precioso para a Humanidade no século XXI, que já enfrenta sérios problemas de ordem planetária. Talvez os seus ensinamentos possibilitem aos seres humanos o resgate das suas Raízes Solares, espirituais e físicas, auxiliando cada um de nós a encontrar o seu verdadeiro lugar no Universo, objetivo principal de nossa existência neste planeta.

O único Sacerdote

Akhenaton declarou-se o seu único sacerdote e profeta, escrevendo um hino no qual proclamava a grandeza do SOL como criador de todas as coisas, e a igualdade entre todos os homens. A semelhança desse hino (como poderemos ver mais abaixo) com o Salmo 104, do Antigo Testamento, faz pensar que ambas as religiões compartilharam as suas ideias sobre o monoteísmo em um momento de sincretismo.

De Amenófis a Akhenaton

No ano 5 do seu reinado o jovem rei decide mudar de nome. De Amen-hotep, nome que significa "Amon está satisfeito" muda para Akhenaton que por sua vez significa "o espírito atuante de Aton", o que representou o seu repúdio ao deus Amon. O rei declarou-se também filho e profeta de Aton, uma divindade representada como um disco solar. Akhenaton instituiu o deus Aton como a única divindade que deveria ser cultuada, sendo o próprio faraó o único representante dessa divindade.

No entanto, o deus Aton não era um deus novo no panteão egípcio. Aton era considerado pelos egípcios como uma manifestação visível do deus Rá-Harakhti e já era mencionado nos Textos das Pirâmides, que são os textos de carácter religioso mais antigos encontrados no Egito.

O que há de novo na religião introduzida por Akhenaton é o lugar central de Aton, remetendo outros deuses ao desaparecimento ou a uma posição secundária. Dessa forma, Akhenaton pode ser considerado o criador da ideia do Monoteísmo.

Tão profunda era a influência da esfera espiritual sobre a vida cotidiana do povo egípcio que, segundo muitos especialistas, é difícil a distinção entre os acontecimentos políticos e a evolução das suas crenças.

No Egito adoravam-se centenas de deuses para os quais se edificaram magníficos templos. Até o século XIV a.C., o politeísmo sempre predominara no país, dando-se maior relevo ora a um, ora a outro deus, dependendo da dinastia reinante. Destoando das ideias em vigor, o novo faraó Akhenaton promoveu profunda revolução técnica, artística e, sobretudo, religiosa, abalando o império até seus alicerces.

Do ponto de vista religioso, foi introduzida uma novidade existente na época apenas entre os hebreus: o monoteísmo. Contrariando frontalmente o próprio cerne da religião politeísta egípcia, Akhenaton propôs o culto apenas a Aton (o disco solar) e o proclamou como único deus.

É verdade que ele não era o primeiro adepto da religião de Aton. Há traços da existência desse culto algum tempo antes do nascimento do inovador faraó. Entretanto, ao declará-lo oficialmente como único deus, o novo soberano direcionava as crenças do país para o monoteísmo. E essa é uma das principais razões pelas quais ele ficou conhecido como "o faraó revolucionário", sendo aclamado como visionário por uns, e considerado herege e até criminoso por outros.

Profeta ou revolucionário - o que foi ele na realidade? Tratemos de desvendar a questão conhecendo melhor sua história.


As teorias relacionadas ao faraó Akhenaton

Para alguns teóricos, as mudanças religiosas propostas pelo faraó estavam motivadas numa possível origem extraterrestre de Akhenaton. O fato dele mudar toda a estrutura religiosa e comprar uma grande briga com o poderoso clero, gerou revolta desse setor da sociedade egípcia. Mesmo o faraó precisaria do apoio desses "nobres", então por que comprar essa briga? Que benefícios essa mudança traria?

Os teóricos dos antigos deuses acreditam que não haveriam benefícios para o faraó nessa "briga" comprada por Akhenaton, eles afirmam que ele fez isso por de fato ser um ser de outro mundo, e tal ato seria importante para ele espalhar a sua mensagem. Akhenaton foi um faraó que reinou em um período de grande paz, e ele teve uma grande contribuição nesse aspecto. A paz seria o tema do faraó supostamente "de outro mundo".

Para os 
Rosacruzes, Akhenaton seria o Arauto do Cristo Cósmico no Egito. Ele seria um mensageiro enviado pela Hierarquia Invisível para desobstruir o caminho. Segundo suas crenças, tal era a condição que prevalecia no Egito naquele período, vindo Akhenaton promover uma nova era de pensamento espiritual.

Foi no meio deste cenário decadente que, Akhenaton, um dos Irmãos Maiores foi enviado para reacender a tocha espiritual que havia sido apagada pela idolatria, pelo luxo e pelo abuso de poder tanto da Igreja quanto do Estado. Akhenaton protagonizou como Cristo, uma vida como portador de Luz, recebendo como troca traições e perseguições.

Alguns estudiosos sugerem que Akhenaton tinha ascendência alienígena. O formato de seu crânio demasiadamente alongado (comprovada por estudos arqueológicos) teria posteriormente influenciado diversas culturas ao redor do mundo.

Início do Reinado

Amenófis IV - que mais tarde ficou conhecido como Akhenaton - foi coroado faraó aos 15 anos de idade, assumindo o poder e co-regência com seu pai, numa época em que Egito vivia uma situação interna tranquila e de grande prosperidade. Seu reinado durou 16 anos (de 1352 a 1336 a.C). Amenófis III morreu no 12º ano do reinado de Akhenaton.

Durante os oito anos do período de co-regência, Amenófis III pode passar ao filho toda sua experiência e também servir de apoio para as grandes mudanças promovidas por ele. É o pai também quem controla a impetuosidade do filho, evitando um confronto com o clero de Tebas antes que tivessem sido lançadas as bases da "revolução amarniana".

O jovem Amenófis IV acredita que um ideal justo sempre triunfa, mas aprende com o pai a ser paciente.
Sua mãe, que viveu durante os seis primeiros anos de seu reinado, foi responsável pela estruturação das tendências místicas de Amenófis IV, fazendo com que ele se aproximasse da parte do clero que estava ligada aos antigos cultos do Egito, onde Aton era o deus maior.

Assim, durante os quatro primeiros anos de seu reinado, Amenófis IV (Akhenaton) vai, lentamente, se afastando de Tebas e amadurecendo a idéia de um Deus universal. Ao final deste período, ele inicia a grande revolução. Proclama sua intenção de realizar a cerimônia religiosa de regeneração - denominada "festa-sed" na qual o faraó "se recarrega".

Segundo ele, “o Universo só poderia ter sido criado por uma única mente superior, digna de todos as homenagens, ao contrário da sociedade viciada em deuses de pedra que em realidade os utilizam como elemento de barganha em seus desejos pessoais e mesquinharias do cotidiano”.

Seu ideal na implantação da nova ideologia baniu em toda terra de Khemi, os ídolos de pedra dos templos, exigindo que fossem removidas as representações pictográficas das obras e salões do Estado. Ficou somente a nova representação do deus único “Aton”, criador do Universo, designado graficamente apenas com um círculo perfeito, o círculo solar.

Visando ampliar os estudos da energia irradiante de Aton, o faraó construiu o templo de Aton, na cidade de Amarna, local exclusivo para a meditação e celebração das honras em homenagem ao deus único e onde ficaria hospedado um possível enviado de seu reino. O templo foi desenhado seguindo orientações espirituais e geometria sagrada.

Templo de Aton em Amarna, onde seriam estudadas as ciências provindas do Deus único
e local sagrado onde viveria o “Seu enviado”. Reconstituição 3D de Paul Docherty.
Para este ritual mágico, manda construir um templo para Aton e adota o nome de Akhenaton, o filho do sol. O significado destes atos é profundo dentro da cultura egípcia. O faraó indicava claramente que Aton passava à condição de deus do Egito, rompendo com os sacerdotes de Tebas.

No templo de Aton, pela primeira vez, o deus não tinha rosto, sendo representado pelo Disco Solar. Aton era o sol que iluminava a vida de todos. Imediatamente passa a ser conhecido como o faraó herético.

Nefertiti
Não se pode entender a obra de Akhenaton sem se conhecer a figura de sua esposa, Nefertiti, a bela que chegou, bem como a figura de seus pais e Amenhotep. Segundo os historiadores, era uma mulher de rara beleza. Nefertiti, egípcia, pertencia a uma grande família nobre.

Não seria ela, no entanto, quem o futuro faraó deveria desposar, o que novamente indica a independência da família real em relação aos usos e costumes impostos à corte.

Nascida no ano de 1380 a.C., Nefertiti, cujo nome significa ‘a mais bela chegou’, foi uma rainha egípcia da XVIII dinastia que se tornou notável por ser a esposa do faraó Akhenaton, responsável por substituir o culto politeísta pela reverência a um deus único, o rei-sol Aton.

O casamento, porém, se deu quando Amenófis IV tinha, aproximadamente 12 anos, sendo que Nefertiti era ainda mais jovem que ele. Akhenaton e Nefertiti acabaram por transformar seu casamento estatal em um casamento de amor.


São muitas as cenas de arte que retratam o relacionamento carinhoso entre eles, o que, por si só, mostra a intensidade deste relacionamento, uma vez que não era comum na arte egípcia a expressão destes sentimentos. Com efeito, Akhenaton e Nefertiti são, até hoje, citados como exemplo de um dos casais românticos mais famosos da história.

Com Akhenaton, Nefertiti teve seis filhas entre os nove anos de reinado do marido. São elas: Meritaton, Meketaton, Ankhesenpaaton, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré.

Apesar de ser um símbolo de beleza fascinante mesmo na atualidade, pouco se sabe sobre a vida de Nefertiti. A rainha teve grande importância na disseminação do culto monoteísta junto ao seu marido, pois era uma das únicas que podia reverenciar e interceder diretamente com o rei-sol Athon.


No reinado de Akhenaton, o faraó e a rainha eram responsáveis pela realização dos cultos e eram figuras representativas dessa divindade, fortalecendo os laços com a população.

Grã-sacerdotiza do culto de Aton, Nefertiti dirigia o clero feminino e nesta função conquistou o carinho e a admiração do povo.
Soube canalizar este sentimento popular de modo a fortalecer o carisma de seu marido diante do Egito. Viveu com o mesmo ardor de Akhenaton a nova espiritualidade.

Por sua grande popularidade, alguns historiadores defendem a tese de que Nefertiti tenha sido alvo de assassinato de alguns sacerdotes que defendiam o politeísmo. Outros especialistas, ainda, acreditam que ela tenha se tornado co-regente de Akhenaton, acumulando mais poder. Essa última tese é levantada graças a uma imagem em bloco de pedra onde a rainha aparece golpeando um inimigo com uma maça, remetendo à ideia de força.

Segundo os historiadores, foi ela quem preparou o jovem Tut-ankh-Aton para ocupar o trono, que mais tarde reinou sob o nome de Tut-ankh-Amon. No espírito de Nefertiti, este era o único meio de preservar a continuidade monárquica e de garantir um necessário retorno à ordem.

Entretanto, sabe-se que após o término do reinado de seu marido, Nefertiti sumiu misteriosamente, pois poucas escrituras e imagens retratam esse período de sua vida. Alguns arqueólogos estimam que ela tenha morrido no ano de 1345 a.C.

Akhenaton - o Edificador

A idéia do deus único e universal foi se tornando cada vez mais consistente para Akhenaton. Com sabedoria e coragem, ele foi dando passos firmes para a construção de seu propósito. Era preciso materializar a idéia. Durante o quarto ano de seu reinado, Akhenaton definiu o local onde seria erguida a nova cidade. Sua escolha não se deu ao acaso, mas dentro de todo um simbolismo coerente com a nova doutrina.

A cidade se chamaria Tell el Amarna que significa O Horizonte de Aton, portanto, A Cidade do Sol. Estava localizada perto do Nilo, portanto, perto da linha da vida do Egito e a meio caminho entre Mênfis e Tebas, ou seja, simbolicamente seria o ponto de equilíbrio entre o mundo material e o mundo espiritual.

Ao todo foram quatro anos para a construção de Amarna com 8 km de comprimento e largura máxima de 1,5 km, com ruas grandes e largas, paralelas ao Nilo. Apenas no sexto ano é que ele anuncia oficialmente a fundação da cidade de Amarna.

A proclamação recebeu integral apoio do clero de Heliópolis. Amarna passava a ser a nova cidade teológica onde seria adorado um deus solar, único. Com a construção de Amarna, num local em que o homem jamais havia trabalhado, Akhenaton prova que não é um místico sonhador, mas alguém compromissado em construir seus ideais, disposto a fazer uma nova era de consciência de Deus.

Amarna não é uma cidade comum, mas o símbolo de uma nova forma de civilização, onde as relações humanas, desde a religião até a economia, achavam-se modificadas. Foi uma maneira de dar uma forma inteligível de suas idéias para os homens. Foi o teatro de uma tentativa fantástica de implantação do monoteísmo.

Ali havia gente de todas as nações que se transformaram de súditos em discípulos de Akhenaton. Viver em Amarna, era tentar desafiar o desconhecido e mergulhar na aventura do novo conhecimento, acreditando que o sol da justiça e do amor jamais se deitaria.

A Vida em Amarna

Capital do Egito, cidade protegida, Amarna é antes de tudo uma cidade mística em virtude da própria personalidade do rei. Viver em Amarna era compartilhar da vida do casal real, suas alegrias e suas dores. Era descobrir, no rei, um mestre espiritual que ensinava as leis da evolução interior.


Akhenaton e Nefertiti constantemente passeavam pela cidade, a bordo da carruagem do sol, buscando um contato com seus súditos. Diariamente, cabia a Akhenaton comandar a cerimônia de homenagem ao nascer do sol e a Nefertiti, a cerimônia do pôr do sol.

Para administrar a cidade, tendo como conselheiros políticos o pai, a mãe e um tio de nome Aí, Akhenaton herdou grande parte dos auxiliares de seu pai, que adotaram com entusiasmo a nova orientação religiosa do faraó. Akhenaton cuidou de ensinar a nova espiritualidade a todos seus auxiliares diretos.

Esta espiritualidade se baseia numa religião interior e na certeza de que existe um mesmo Deus para todos os homens.

Akhenaton favoreceu a ascensão social de numerosos estrangeiros abrindo ainda mais o Egito para a influência de culturas de outros povos. Assim, rapidamente o perfil social do Egito sofreu uma alteração de grande vulto. É fácil imaginar que muitos foram aqueles que ficaram descontentes com a nova situação, mas a grandiosidade do faraó fazia com que se mantivesse um equilíbrio na sociedade, e de sua sabedoria emanava uma energia que influenciava positivamente todos os aspectos da vida no Egito.

A arte egípcia foi particularmente influenciada durante o reinado de Akhenaton, sendo historicamente classificada como a Arte Amarniana. De forma extremamente inovadora para a época, ela registra a visão que o faraó tinha do homem e do universo. Pela primeira vez surgem obras mostrando a vida familiar, o que vem ao encontro da concepção de Akhenaton de que o fluxo divino passa obrigatoriamente pelo organismo familiar. Em algumas obras, aparecem também membros da família real nus, como indicação da necessidade da transparência interior. Este tema da transparência do ser está presente na mística universal.



Na poesia, a contribuição da civilização de Akhenaton é muito rica, especialmente nos escritos religiosos em homenagem ao deus Aton. É através dela que o faraó mostra a unicidade de Deus - o Princípio Solar - que criou o Universo, deu origem à vida em todas as suas manifestações. O Princípio Solar rege a harmonia do mundo, tudo cria e permanece na unidade.


Amarna: ruínas de um sonho destruído há mais de 3000 anos.

Akhenaton e a Religião da Luz

Devemos observar que mesmo durante o período em que Tebas exerce a maior influência na religião egípcia, Mênfis e Heliópolis continuavam a alimentar a espiritualidade do reino.

Os sacerdotes destas cidades, sem o poder material de Tebas, consagravam-se ao estudo das tradições sagradas que cada faraó devia conhecer. Foi com estes sacerdotes que Akhenaton foi buscar as bases na nova ordem religiosa. Apesar dos séculos que nos separam da aventura espiritual de Akhenaton, podemos perceber seu ideal e sua razão de ser e nos aproximarmos, passo a passo, de Aton, centro misterioso da fé do faraó.

Para ele (Akhenaton), Aton é um princípio divino invisível, intangível e onipresente, porque nada pode existir sem ele. Aton tem a possibilidade de revelar o que está oculto, sendo o núcleo da força criadora que se manifesta sob inúmeras formas, iluminando ao mesmo tempo o mundo dos vivos e dos mortos e, portanto, iluminando o espírito humano sendo, por isso, a sua representação o disco solar, sem rosto, mas que a todos ilumina.

Aton é também o faráo do amor, que faz com que os seres vivos coexistam sem se destruir e procurem viver em harmonia.

Para Akhenaton, é essencial preservar uma "circulação de energia" entre a alma e o mundo dos vivos. Na realidade, não existe nenhuma ruptura entre o aparente e o oculto. Na religião do Egito não existe a morte, apenas uma série de transformações cujas leis são eternas. Em Amarna, os templos passam a ser visitados integralmente por todos, não mais existindo salas secretas em cujo interior somente os sacerdotes e o faraó podem entrar.



Para Akhenaton todos os homens são iguais diante de Aton. A experiência espiritual de Akhenaton e os textos da época amarniana deslumbraram mais de uma vez os sábios cristãos. Numa certa medida, pode-se dizer que ele é uma prefiguração do cristianismo que viria, com uma visão profunda da unicidade divina, traduzida pelo monoteísmo. É espantosa a semelhança existente entre o Hino a Aton e os textos do Livro dos Salmos da Bíblia, em especial o Salmo 104.

A religião de Amarna continha uma magia maravilhosa, uma magia que aproxima o homem de sua fonte divina.

Apesar da predominância do politeísmo na antiguidade, e do empenho dos sucessores de Akhenaton em apagar qualquer rastro de religião monoteísta, a concepção de cultuar um único deus prevaleceu no espírito dos homens e permanece até hoje. Porque é conatural à mente humana a ideia de que, por detrás do universo criado, existe um único Ser, incriado e necessário, que é a causa de tudo.


O fim de Akhenaton

A implantação da nova ordem religiosa tornou-se quase que a única tarefa merecedora da atenção do faraó. Com isso não combateu os movimentos internos daqueles que se sentiram prejudicados pela nova ordem e também pelo crescimento bélico dos hititas. Por volta do 12º ano de seu reinado, com a morte de Amenófis III, estes movimentos internos tomavam vulto e as hostilidades externas se agravavam.

Akhenaton, porém, fiel a seus princípios religiosos, se recusava a tomar atitudes de guerra, acreditando poder conquistar seus inimigos com o poder do amor de Aton.

Nesta altura, a saúde de Akhenaton dá sinais de fraqueza, e ele resolve iniciar um novo faraó. Em Amarna, Nefertiti iniciara a preparação de Tut-ankh-Aton, segundo genro do faraó, para a linha de sucessão, uma vez que o casal não possuía filho homem. Akhenaton no entanto, escolhe Semenkhkare, iniciando com ele uma co-regência do trono.

Embora não existam registros claros sobre este período, tudo indica que durante a co-regência, que durou 5 ou 6 anos, morre Nefertiti, e sua perda é um golpe demasiado forte para Akhenaton, que vem a falecer pouco depois com aproximadamente 33 anos. Seu reinado, no total, durou cerca de 16 anos.

Semenkhkare também faleceu praticamente na mesma época, deixando vazio o trono do Egito e permitindo aos sacerdotes de Tebas a indicação de Tut-ankh-Aton, que imediatamente mudou seu nome para Tut-ankh-Amon, indicando que Amon voltava a ser o deus supremo do Egito.

Por ser muito jovem e não possuir a estrutura de seus antecessores, Tut-ankh-Amon permitiu a volta da influência de Tebas que, por sua vez, não mediu esforços para destruir todo o legado de Akhenaton, incluindo-se a cidade de Amarna.

Diante de tal reforma religiosa, apesar de serem considerados espiritualizados, os egípcios não se viram prontos para aceitar tamanho conceito inovador. Bastou a morte do Faraó, para que os ídolos de pedra voltassem para dentro das casas e a cidade de Amarna fosse rapidamente destruída.


Akhenaton - Um Marco na História da Humanidade

O fim dramático da aventura amarniana é devido a circunstâncias políticas e históricas que não diminuem em nada o valor do ensinamento de Akhenaton. Se é inegável que o fundador da cidade do sol, a cidade da energia criadora, entrou em conflito com os homens que ele queria unir pelo amor de Deus, não é menos verdade que ele abriu uma nova concepção sobre esta luz que a cada instante se oferece aos homens de boa vontade.

Sua experiência foi uma tentativa sincera de perceber a Eterna Sabedoria e de torná-la perceptível a todos. A coragem que demonstrou na luta constante por seus ideais, sem dúvida, fez dele um marco eterno na história da humanidade.

A história de Akhenaton mostra, mais uma vez, que um homem melhor faz um meio melhor, e que a força de sua convicção em seu objetivo altera a vida do meio, seja ele uma rua, um bairro, uma cidade, um país.... o Universo.

Akhenaton seria a primeira encarnação de Jesus?

Alguns estudiosos teorizam dizendo que Akhenaton foi na verdade a primeira encarnação de Jesus Cristo. Essas teorias se baseiam no fato de a mensagem que ambos disseminaram ser mais ou menos a mesma; o amor ao próximo e a paz, sem contar alguns indícios em comum entre o cristianismo e a religião imposta por Akhenaton, como poderão ver mais abaixo no hino de Aton. Esse hino é tido como muito parecido com o Salmo 104, do Antigo Testamento.

O Hino a Aton:

Tu és belíssimo sobre o horizonte, Ó radioso Aton, fonte de Vida!
Quando te ergues no oriente do céu, teu esplendor abraça todas as terras.
Tu és belo, tu és grande, radiante és tu.
Teus raios envolvem todas as terras que criaste,
Todas as terras se unem pelos raios de teu amor.
Tão longe estás, mas seus raios tocam o chão;
Tão alto estás, mas teus pés se movem sobre o pó.
Tu és vida, por ti é que vivemos,
Os olhos voltados para tua glória, até a hora em que, imenso, te recolhes…
Criaste as estações para renascer todas as tuas obras.
Criaste o distante céu, para nele ascender.
A Terra está nas tuas mãos, como aos homens criaste.
Se tu nasceres eles vivem, se te pões eles morrem.
Tu és propriamente a duração da vida, e vive-se unicamente através de ti!

Akhenaton e Nefertiti: uma visão mais romântica do "casal solar"
Para o arqueólogo e historiador norte-americano James Henry Breasted (1865–1935), educado no Seminário Teológico de Chicago, Akhenaton foi «o primeiro indivíduo da História»:

Era um homem inebriado de divindade, cujo espírito correspondia com uma sensibilidade e uma inteligência excecional às manifestações de Deus em si próprio, um espírito que teve força para disseminar ideias que ultrapassaram o quadro de compreensão da sua época e dos tempos futuros.

Arthur Weigall (1880-1934), egiptólogo inglês, jornalista e autor de livros sobre o Antigo Egito, biografias históricas, poesias e peças de teatro, refere a um rei quase divino:

O primeiro homem a quem Deus se revelou como fonte de amor universal, isento de paixões, e com uma bondade que não conhecia restrições. Deu-nos, há três mil anos, o exemplo do que deve ser um esposo, um pai, um homem honesto, do que um poeta deveria sentir, um pregador ensinar, um artista seguir, um sábio crer e um filósofo pensar.
Como outros grandes mestres, sacrificou tudo aos seus princípios; a sua vida, contudo, mostrou até que ponto estes princípios eram impraticáveis.


De fato, a religião Cósmica do Deus Universal, assim como preconizada por Akhenaton, era por demais adiantada para o seu tempo, como ainda hoje estaria milhares de anos à nossa própria frente. Lamentavelmente temos visto que as armas e os interesses escusos sempre tiveram a força suficiente para fazer um povo aceitar qualquer fé e qualquer governo, por mais absurdos e temerários que possam ser. No seu tempo, o imortal faraó detinha o poder temporal do império mais rico e também dos exércitos mais fortes e temidos da antigüidade. Em nenhum momento, porém, deles se utilizou para propagar ou mesmo impor a sua doutrina.

Trilha Sonora original do Filme "O Egipcio"
Poderia, através de um simples gesto e da sua vontade real, ter se utilizado também do sangue e da violência para castigar e reprimir os seus opositores, ou mesmo aqueles que recusavam os seus ensinamentos. Mas não foi assim!
Ao contrário, deixou-nos a sua última mensagem:
“O Reino do Eterno não pode ser colocado dentro dos limites terrestres., O medo, o ódio e a injustiça voltarão a reinar e os homens sofrerão realmente. Seria melhor não ter vindo para que visse todo o mal que há sobre a Terra. Os exércitos podem destruir os Templos de Deus, pedra por pedra. Os sacerdotes podem apagar o Nome Dele de todos os monumentos. Mas para destruir Deus, terão que arrancar todas as estrelas do céu e até mesmo o próprio céu para destruir seu Verbo."
Descobrir Akhenaton é o mesmo que trazer à evidência um tipo de homem que busca ter uma visão do universo, colocando seus ideais acima das circunstâncias materiais e políticas. Sua vida apresenta aspectos de uma procura que podemos qualificar como iniciática. Ela abre nosso coração para uma luz maior e enriquece-nos com uma experiência de grande coragem de alguém que acreditou em seu sentir.

Todo aquele que conseguir despertar o seu “Sol Interior” terá o dever de mostrar aos seus irmãos de jornada o caminho para essa descoberta. E que os “Filhos do Sol” despertem e encontrem-se nesta vida!



  

Os mistérios de Stonehenge
Nenhum lugardo mundo já gerou tanta especulação eteorias extravagantes como as enormes e solitárias pedras que permanecem eretas desafiando-nos com o seu mistério. Nem mesmo o triângulo das bermudas…

A simples visão da estrutura não usual do antigo monumento de Stonehenge intriga a todos aqueles que o conhecem. Afinal de contas, quem o fez e para que?

Stonehenge foi construída entre 3100 e 2000 antes de Cristo na planície de Salisbury, em Wiltshire na Inglaterra. Este monumento megalítico já foi escavado, medido, pesquisado, já o fotografaram com raios X e, a despeito de tudo isto, o seu propósito ainda permanece um dos grandes mistérios do mundo. Quase tudo já se disse sobre Stonehenge. Teorias e “teorias” em profusão tentam explicar algo que nos intriga. As três perguntas de sempre: quem, por que e para que, continuam desafiadoras embora muito já tenha sido aprendido sobre a sua idade e construção. As teorias sobre quem construiu este monumento são uma homenagem à imaginação do ser humano: elas vão do discurso sério de pesquisadores em arqueoastronomia até os mais inacreditáveis absurdos, ditos também com a maior seriedade (ou cara-de-pau). Druidas, gregos, fenícios, antigos moradores docontinente desaparecido da Atlântida, extraterrestres, a escolha é sua.

Para que serve este monumento? Sacrifício humano, altar mágico, observatório astronômico, observatório meteorológico, passagem para outras dimensões, entrada para o centro da Terra, etc. Como se pode ver a imaginação humana é imbatível. Muito se escreveu, mas o que se sabe sobreStonehenge está resumido a seguir. Aliás, não se aborreça por não encontrar muitas conclusões. As dúvidas sobre Stonehenge ainda são muitas.
Olhando Stonehenge

Nesta incrível visão aérea de Stonehenge, verifica-se que este monumento é formado por círculos concêntricos. Na verdade a área total de Stonehenge vai muito mais além da marcante construção de pedras no centro da figura. A marca no chão mostra que aqueles que o construíram, utilizavam uma enorme área desta planície para a realização de seus intentos. O enorme bloco de pedra situado bem acima da figura, à margem da estrada pavimentada, também faz parte de Stonehenge. Ele é chamado de “heel stone”.

Esta outra foto, bem mais antiga, mostra Stonehenge visto por outro ângulo. Aliás, esta foto mostra uma estrada que levava até o monumento, quando era permitido ir até à sua parte interna, o que hoje, felizmente, não é mais possível. Os “druidas” modernos estavam danificando o monumento ao realizarem seus pseudo-rituais de “fogo e magia” antes de irem para casa ver televisão. É possível ver a formidável “heel stone” bem na parte inferior da imagem.

O mapa seguinte mostra toda a estrutura de Stonehenge. Além do conjunto de pedras central que o caracteriza, existem várias outras estruturas, destacando-se um notável anel de 56 buracos que circunda a sua estrutura interna. Estes buracos foram descobertos por John Aubrey no século XVII e são chamados de “Aubrey holes” (os buracos de Aubrey). Estes “buracos” estão bem visíveis na fotografia preto-e-branco mostrada acima.

A pedra distante, mostrada na parte de baixo da fotografia aérea em preto-e-branco, é chamada de “Heelstone. Solitária, ela desafia os arqueólogos. Sua imponência é revelada na fotografia seguinte. No mapa de Stonehenge ela está situada na parte superior. Note o alinhamento dela com a abertura no círculo mais externo de Stonehenge.
Astronomia e Stonehenge

Esta é outra questão bastante polêmica. Enquanto alguns negam qualquer vínculo com a astronomia, e preferem falar de algo místico e secreto, outros transformam o sítio de Stonehenge em um incrível observatório astronômico. Parece que Stonehenge não é nem uma coisa nem outra.
No século XVIII, em 1740, o Dr. William Stuckly, um dos proponentes da teoria de que os Druidas eram os responsáveis por Stonehenge, investigou e mediu este sítio. Ele foi o primeiro pesquisador a sugerir que havia alinhamentos astronômicos nos megalitos de Stonehenge.
No entanto, a ligação histórica entre a astronomia e Stonehenge começa verdadeiramente nas décadas dos anos de 1950 e 1960, quando o engenheiro Alexander Thom e o astrônomo Gerald Hawkins, da Oxford University, criaram, de modo pioneiro, uma nova área de pesquisa, a arqueoastronomia, que nada mais era do que o estudo da astronomia conhecida pelas antigas civilizações do nosso planeta.
Realizando levantamentos precisos em vários anéis de pedra e outras estruturas megalíticas, Thom e Hawkins descobriram vários alinhamentos, que eles consideraram significativos, entre estas pedras. Esta evidência sugeriu a eles que os anéis de pedra eram usados como observatórios astronômicos.
Além disso, estes dois arqueoastrônomos concluíram que os nativos britânicos que construíram estes círculos de pedras revelavam grandes habilidades de engenharia e uma extraordinária sofisticação matemática. Estes conhecimentos teriam sido desenvolvidos pelos nativos antes mesmo das culturas egípcia e mesopotâmia. Segundo estes pesquisadores, cerca de 2000 anos antes que Euclides elucidasse os teoremas do triângulo de Pitágoras e pelo menos 3000 anos antes que o sábio Arya Bhata do século 6 D.C. tivesse “descoberto” o conceito e o valor do número pi, os construtores megalíticos britânicos já haviam incorporado estes conhecimentos matemáticos em seus anéis de pedra. Tudo isto Gerald Hawkins e Alexander Thom escreveram no seu livro “Stonehenge Decoded”, onde eles mostram o grande número de alinhamentos astronômicos que existe em Stonehenge. Isto foi o sinal verde para a imaginação das pessoas.

Embora as descobertas e interpretações de Thom e Hawkins fossem fascinantes, mesmo revolucionárias, eles estavam errados, pois estudos posteriores mostraram que vários alinhamentos que eles observaram em Stonehenge são apenas casuais. Os pesquisadores Aubrey Burl e Benjamin Ray, mais recentemente, realizaram estudos bastante detalhados desta região e moderaram a intensidade (ou delírio) de algumas afirmações mais antigas. Em 1987 Ray disse que: “Hawkins (em 1964) afirmou a existência de 24 alinhamentos solares e lunares em Stonehenge, e propôs a teoria de que o monumento poderia ter sido usado como uma calculadora para prever eclipses. Entretanto, reconhece-se agora que Hawkins estava inteiramente errado sobre o uso possível de Stonehenge como uma máquina calculadora para prever eclipses. E também se concorda que ele superestimou o número de alinhamentos solares e lunares envolvidos…”.
A “descoberta” de alinhamentos astronômicos conhecidos em vários sítios megalíticos tem dado a falsa impressão de um notável conhecimento astronômico por parte dos seus construtores que viviam no final da era neolítica. No entanto, na maioria dos casos “descobertos” a precisão envolvida (que confirma o alinhamento) provém fundamentalmente do investigador, que antecipadamente conhece os alinhamentos relevantes e então os “encontra” no sítio pesquisado.

Afinal, Stonehenge era um templo ou um observatório astronômico? Na verdade parece que o meio termo é mais razoável. Pelo menos parte de Stonehenge pode ter sido um sitio astronômico na idade da pedra. Chamar Stonehenge de “observatório” é forte demais. Tudo indica que, de fato, observações astronômicas podem ter sido realizadas em Stonehenge. Certamente o alinhamento da “heelstone” com o Sol nascente no dia 21 de junho, o solstício de verão, (mostrado abaixo) representa um verdadeiro alinhamento astronômico.
No entanto, estas observações, possivelmente, tinham a intenção de indicar dias apropriados para ciclos rituais que eram realizados durante o ano. Ao que parece a astronomia em Stonehenge era secundária, sendo mais usada a serviço dos rituais do povo que o construiu. A capacidade de Stonehenge em determinar as datas dos solstícios e equinócios é uma prova de sua importância. Os povos antigos sempre tiveram o Sol e a Lua como entidades sagradas, cujos ciclos (aparentes) eram incorporados às vidas destes povos. A conclusão dos estudiosos destas estruturas megalíticas é que Stonehenge, assim como um enorme número de anéis de pedra espalhados por todas as Ilhas Britânicas, era parte sitio de observação lunar/solar e parte estrutura para rituais religiosos.

Porém mais recentemente pesquisadores britânicos propuseram uma nova teoria sobre as origens de Stonehenge : o monumento, ao Sul da Inglaterra, pode ter começado como um cemitério para famílias de elite por volta do ano 3000 antes de Cristo.
Novos estudos de restos humanos cremados escavados do lugar indicam que, antes que o Stonehenge que conhecemos hoje fosse construído, foi erguido um grande círculo de pedra no mesmo lugar, como cemitério.
– Os restos eram de homens, mulheres e crianças, muito provavelmente grupos familiares – disse o professor Mike Parker Pearson, da Universidade College London, que coordenou a equipe desse estudo. – Havíamos pensado originalmente que Stonehenge era um lugar de enterro de uma dinastia de reis, mas parece ter sido como uma comunidade, uma estrutura de poder diferente.
O pesquisador disse que os arqueólogos estudaram os restos cremados de 63 pessoas e acreditam que elas foram enterradas ali por volta do ano 3000 a.C. A localização de muitos dos corpos cremados foi marcada originalmente por dolerites (um tipo de rocha), esse círculo anterior a Stonehenge tinha 91 metros de diâmetro e pode ter servido como lugar para enterrar outras 200 pessoas, segundo Parker Pearson.
Parker Pearson disse que estudos mais recentes indicam que Stonehenge devería ser visto menos como um templo religioso que como uma construção que servia para unir as pessoas de toda a ilha.

A análise dos restos de um assentamento neolítico perto do monumento indicaram que milhares de pessoas viajaram de lugares distantes como a Escócia para Stonehenge, levando com elas suas famílias e seu gado para celebrar os solstícios de inverno e verão.
Os pesquisadores estudaram os dentes de porcos e gado encontrados no “acampamento de construtores” e deduziram que os animais foram sacrificados entre nove e 15 meses depois de nascidos, na primavera. Isso significa que muito provavelmente eles foram comidos nas comemorações.
– Não pensamos que os construtores do monumento viviam ali todo o tempo. Determinamos que quando eles sacrificaram os porcos, estavam celebrando os solstícios – disse Parker Pearson, que considera que os construtores ficaram temporadas para erguer o monumento, mas não por muito tempo, provavelmente durante uma década.
Enfim, uma coisa não podemos negar, é um dos monumentos mais incríveis do mundo. Mas em qual teoria vocês acreditam?
O Continente Perdido de Atlantida
Atlântida ou Atlantis é uma lendária ilha cuja primeira menção conhecida remonta a Platão (428-347 a.C.) em suas obras "Timeu ou a Natureza" e "Crítias ou a Atlântida".
A mitologia ocidental reduz o continente ou Reino Atlante a uma ilha que teria submergido, engolida pelo oceano, nove mil anos antes da época de Sólon. Porém, Platão deixa claro que a ilha, além de ser tão grande quando "Líbia e Ásia juntas", era apenas uma parte do território Atlante, que se estendia em outras partes do mundo. A Atlântida de Platão seria o que restou de um continente muito mais antigo e os Atlantes, foram a quarta Raça humana, que povoou o mundo durante milhões de anos, até que se extinguiu no episódio relatado por Platão.

Platão preservou a história de Atlântida naquele que é, hoje, um dos mais valiosos registros que nos chega da antiguidade. Platão viveu 400 anos antes do nascimento de Cristo, Seu ancestral, Sólon, foi um grande legislador em Atenas 600 anos antes da Era Cristã. Sólon visitou o Egito. Diz Plutarco: "Sólon deixou uma longa descrição em verso ou, melhor dizendo, um fabuloso relato sobre a Atlantic Island (Ilha Atlântica), que ele ouviu dos homens de ciência, em Saís, relato particularmente relacionado com os atenienses."


Platão tencionava produzir uma grandiosa narrativa sobre a "Ilha Atlântica", uma fábula maravilhosa digna do relato de Sólon, uma história como nenhuma outra antes escrita; um deleite para escritor e um prazer ainda maior para o leitor. Mas a vida de Platão terminou antes que ele completasse o trabalho.

Não há dúvida que Sólon esteve no Egito. Sua ausência em Atenas por mais de dez anos é claramente atestada em Plutarco. Há muitas razões para crer que, de fato, Sólon aprendeu muito com os sacerdotes egípcios. Era um homem com uma extraordinária força e pensamento penetrante, como atestam suas leis e seus "ditos". É bem possível que tenha começado em verso a história e a descrição de Atlantis, trabalho que deixou incompleto.

O manuscrito de Sólon, muito possivelmente caiu nas mãos de Platão, seu sucessor e descendente, ele mesmo, Platão, sendo um estudioso, um pensador e um historiador, uma das mentes mais poderosas do mundo antigo. Um sacerdote egípcio teria dito a Sólon: "Vocês [gregos] não tem antiguidade de história [em termos de história] e nem têm a história da antiguidade; e Sólon compreendeu a vasta importância do registro daquele passado histórico, não apenas milhares de anos antes do tempo da civilização grega mas muitos milhares de anos antes do surgimento do Reino do Egito; e ficou [Sólon] muito ansioso para preservar para o seu mundo meio-civilizado ainda, aquela inestimável sabedoria do passado.


FRAGMENTO DE 'TIMEU E CRÍTIAS, ou A ATLÂNTIDA", de Platão:

Crítias: Então, ouça Sócrates, esta estranha narrativa que, no entanto, certamente é verdadeira, bem como Sólon, que contou a história, e que foi o mais sábio entre os sete sábios. Ele era parente e grande amigo de meu avô, Drópidas, como ele mesmo disse em muitos de seus poemas; e Drópidas disse a Crítias, meu pai, que lembrava e nos contava sobre uma antiga e maravilhosa atuação dos atenienses que caiu no esquecimento, ao longo do tempo e da destruição da Raça Humana, e uma, em particular, que era a maior de todas as Raças, e o relato do que se passou será um testemunho adequado da nossa gratidão a vocês...

Sócrates: Muito bom! E o quê é essa antiga e famosa proeza da qual Crítias falou e que não é mera lenda mas uma ação histórica do Estado Ateniense recontada por Sólon!

Crítias: Eu vou contar uma velha história do mundo que ouvi de homem já bastante idoso; Crítias, na época, tinha quase noventa anos e eu dez anos de idade. Era o "dia de Apaturia", também chamado "dia de registro na juventude" [entrada na adolescência] no qual, de acordo com o costume, nossos pais conferiam-nos prêmios pela declamação de poemas e muitos de nós cantavam poemas de Sólon, que eram novidades naquele tempo. Um de nossa tribo, talvez porque fosse sua real opinião, ou talvez porque quisesse agradar Crítias, disse que na sua opinião [dele] Sólon não era apenas o mais sábio dos homens, porém era também o mais nobre dos poetas. O velho homem, eu me lembro bem, iluminou-se diante disso e falou, sorrindo: "Sim, Amynander, se Sólon tivesse, apenas, como outros poetas, feito da poesia o negócio de sua vida e tivesse completado o relato que trouxe com ele do Egito e não se sentisse compelido, em razão de fatos e perturbações que ele encontrou [instabilidade política] quando voltou a este país, empenhando-se, então, em atender a outras tarefas, [se tivesse escrito o poema sobre a coisas fabulosas que aprendeu no Egito] na minha opinião ele teria sido um poeta tão famoso quanto Homero ou Hesíodo.

E sobre o quê era este poema, Crítias? perguntou alguém."Conte-nos", disse outra pessoa, "conte-nos a história toda e de quem Sólon ouviu essa tradição".

Crítias: Sobre a mais grandiosa ação já empreendida pelos atenienses e que deveria ser muito famosa mas o tempo e a destruição completa dos atores desse drama impediram que história chegasse até nós.
"No Delta Egípcio, o rio Nilo se divide, existe um certo distrito que é chamado Saís, e uma grande cidade do distrito, também chamada Saís, e essa é a cidade na qual nasceu o rei Amasis. Ali os cidadãos têm uma divindade fundadora: os egípcios a chamam de Neith mas eles dizem que é a mesma chamada pelos atenienses de "Atena". Os cidadãos desta cidade gostam muito dos atenienses e dizem que, de alguma forma, se relacionam com o povo de Atenas.

"Sólon, levado por Thrither [um sacerdote egípcio], foi recebido com grandes honras e perguntou aos sacerdotes qual dos mestres era o mais sábios em antiguidades [história antiga]; Sólon descobriu que nem ele nem qualquer outro heleno sabiam qualquer coisa de real valor sobre os tempos antigos.

Em uma ocasião, quando estavam falando de antiguidades, ele [Sólon] começou a discorrer sobre coisas de outros tempos quando nossa parte do mundo, o Phoroneus, que é chamado "o primeiro", e sobre Níobe e depois sobre o Dilúvio; falou sobre a vida de Deucalião e Pirra e traçou a genealogia de seus descendentes, a linha do tempo, as datas dos eventos aos quais se referia.

Thereupon, um dos sacerdotes, que era muito velho, disse: "Oh, Sólon, Sólon, vocês helenos são como crianças e não há homens velhos entre os helenos." – Diante disso, disse Sólon: "O que você quer dizer com isso?"

Quero dizer o que disse; que em termos de mentalidade vocês são muito jovens. Não há entre vocês idéias ancoradas em ciências antigas ou antigas tradições; e eu lhes dizer a razão disso: aconteceram e novamente acontecerão muitas destruições da raça humana deflagradas por muitas causas. Existe uma estória que vocês devem ter preservado, sobre Faetonte, o filho de Hélios, que sem saber conduzir os cavalos, tomou a carruagem de seu pai para percorrer o caminho que Hélios fazia todos os dias e provocou um grande desastre, queimando tudo na face da Terra.

Hoje, isso é uma expressão em forma de mito, mas, de fato, significa o declínio dos corpos que se movem em torno da Terra e nos céus; uma conflagração recorrente, que acontece em longos intervalos de tempo; quando isso acontece, aqueles que vivem nas montanhas e em outros lugares secos, estão mais sujeitos à destruição do que aqueles que vivem à margem dos rios, dos lagos ou do mar. Mas, por outro lado, quando os deuses purgam a terra pela água [e não pelo fogo, como Faetonte],então os pastores, os montanheses, são os sobreviventes e perecem os que vivem nas cidades, próximos aos rios e fontes, a beira-mar; são levados pelas enchentes, submergem no oceano. Mas nesse país, nem nesse tempo nem em qualquer outro a água veio do alto sobre os campos, tendo sempre a tendência de vir de baixo, razão pela qual as coisas preservadas aqui são as mais antigas.

O fato é que a Raça Humana, a população, cresce em certas épocas e decresce em outras e o que sempre aconteceu em seu país e no nosso ou em qualquer outra região da qual tenhamos conhecimento, todos os feitos grandes e nobres ou qualquer outro evento memorável, tudo o que tem sido escrito sobre os acontecimentos do passado, está preservado em nossos templos. Enquanto vocês [gregos] e outras nações mantêm escrituras e somente estes registros que interessam ao estado, no momento presente, ignoram que a pestilência [a catástrofe] pode estar vindo dos céus para dizimar todos e deixar apenas aqueles dentre vocês que são destituídos das letras e da educação e assim, deste modo, vocês têm de começar tudo novamente, como crianças, sem nada saber do aconteceu nos tempos mais antigos, entre nós [o Egito] e entre vocês mesmos [gregos].

As genealogias de vocês, gregos, que você Sólon nos tem contado, são relatos de crianças porque, em primeiro lugar, vocês se lembram de um dilúvio apenas, quando existiram muitos deles; em segundo lugar, vocês ignoram que habitaram em sua terra os homens da mais nobre e bela raça que jamais existiu, raça da qual você e seu povo são os descendentes. Isso é desconhecido por vocês porque muitas gerações de sobreviventes da destruição morreram sem deixar qualquer vestígio. Houve um tempo, Sólon, antes do maior dilúvio de todos, quando a cidade que hoje é Atenas era a primeira nas guerras e proeminente pela excelência de suas leis, pelos feitos notáveis, pela constituição magnífica de seus cidadãos.

Maravilhado, Sólon queria saber mais sobre aquela raça e aquele tempo. "Todos vocês são bem-vindos para ouvir sobre eles, Sólon" – disse o sacerdote – "por você mesmo, pela cidade e, sobretudo, pela glória da deusa que é protetora e civilizadora [educadora] de ambas as cidades [Atenas e Saís]. Ela fundou sua cidade mil anos antes da nossa, recebendo da Terra e Efaistos a semente de sua raça; e depois, fundou a nossa, um fato que está preservado em nossos registros sagrados como acontecido há oito mil anos atrás, como ensinaram os cidadãos de nove mil anos atrás. Eu informarei brevemente a você sobre suas leis e a nobreza de seus feitos conforme as escrituras sagradas deles mesmos. Se você comparar estas leis com as suas próprias verá muitas das nossas leis são contrapartida das suas.

Existe uma casta de sacerdotes, que é separada de todas as outras; depois vêm os artesãos, que exercem suas muitas artes e não se misturam com as outras castas; e também existe a classe dos pastores e dos caçadores bem como a dos agricultores. Você observará que os guerreiros no Egito são separados de outras classes e são comandados pela lei da guerra e são equipados com escudos e lanças e a deusa fala primeiro entre vocês, e então, aos países asiáticos e nós, entre os asiáticos, fomos os primeiros a adotar essas leis.

Sabiamente, você notará o cuidado da lei com o mais puro, buscando e compreendendo toda ordem de coisas, da profecia, a medicina e todos os elementos necessários à vida humana e todo tipo de conhecimento relacionado. Essa ordem de coisas foi estabelecida pela deusa e dada a vocês quando estabeleceram sua cidade; e ela escolheu este lugar da Terra, onde você nasceu, porque ali viu o arranjo harmonioso das estações e viu que aquela terra produziria os mais sábios dos homens.

A deusa, que amava a guerra e a sabedoria escolheu aqueles que seriam semelhantes a ela mesma; e ali vocês se estabeleceram com suas leis, que ainda são as melhores, e excedem toda a raça humana nesta virtude e eram os filhos e os discípulos dos deuses. Grandes e maravilhosos feitos de seu Estado foram registrados em nossa história mas um deles supera a todos em grandeza e valor. Foi quando uma força muito poderosa e agressiva levantou-se contra a Europa e Ásia mas sua cidade pôs um fim ao terror.

Esta força veio do oceano Atlântico, naqueles dias em que o Atlântico era navegável; e existia uma ilha situada em frente ao estreito [estreito de Gibraltar] que vocês denominam Colunas de Hércules. A ilha era maior que a Líbia e a Ásia juntas e era o caminho para outras ilhas através das quais era possível atravessar e chegar ao outro lado do continente que era cercado pelo verdadeiro oceano [passando do Mediterrâneo ao Atlântico]. O mar interior do estreito de Hércules (Gibraltar) era apenas um porto com uma entrada estreita; do outro lado, era o verdadeiro mar e a terra, ali, podia verdadeiramente ser chamada de "continente".

Então, na ilha de Atlantis existiu um grande e maravilhoso império, que tinha leis vigentes em toda a "ilha-continente" e em muitas outras além de partes da Líbia, "dentro" das colunas de Hércules tão distantes do Egito e da Europa quanto do Tirreno [parte ocidental do mar Mediterrâneo]. O vasto poder [de Atlantis] empenhou-se, então, em subjugar de um só golpe nosso país e os seus [as cidades-estado gregas] e toda a terra nos limites do estreito; e então, Sólon, seu país [Atenas] brilhou à frente de todos, na excelência de sua virtude e força, por sua bravura e perícia militar; [Atenas] liderou os helenos; e quando não havia esperança de trégua, quando compelida a estar sozinha, submetida a um grande perigo, Atenas derrotou e triunfou sobre os invasores e manteve à salvo da escravidão aqueles que ainda não tinham sido subjugados e libertou todos os outros que habitavam os limites de Hércules [área do mediterrâneo, estreito de Gibraltar]. Posteriormente aconteceram terremotos violentos e inundações e em apenas um dia e uma noite de tempestades (chuvas) Atlântida e todo o seu povo foram tragados pelo oceano. Esta é a razão pela qual naquela parte, o mar é inavegável, intransponível, porque está saturado de lama.

E eu gostaria de invocar Mnemosine (Memória) porque parte significativa do que tenho para contar depende do favor da deusa das recordações, para que possa recontar tudo o que disseram os sacerdotes e que Sólon trouxe consigo. Deixem-me começar observando que, os nove mil anos que mencionei são um resumo dos anos que tinham se passado desde o começo da guerra entre os que habitavam para além das coluna de Hércules e aqueles que habitavam "dentro" do estreito. De um lado os combatentes da cidade de Atenas e seus aliados; do outro, os reis da Ilhas de Atlantis, que outrora tinham sob seu poder um território maior que a Líbia e a Ásia; território que desapareceu entre tremores de terra e maremotos que tornaram o Atlântico praticamente inacessível. A história se desenrola e entram em cena numerosas tribos bárbaras e Helenos que existiam então. Mas devo ainda descrever os Atenienses tal como eram naqueles dias e seus inimigos e ainda o poder e a forma de governo de cada um. Comecemos pelos atenienses...

Muitos grandes dilúvios aconteceram durante aqueles nove mil anos... Os deuses repartiram entre si toda a Terra em diferentes porções. Ergueram templos, fizeram sacrifícios. Poseidon recebeu a ilha de Atlantis; o deus tinha filhos com uma mortal e instalou, mulher e filhos, em uma parte da ilha; na costa, voltada para o oceano, existia uma planície muito fértil. Próximo, no centro da ilha, havia uma montanha não muito alta. Nesta montanha habitavam os primeiros mortais deste país: um casal, ele chamado Evanor e ela Leucipa. Tinham uma única filha, Cleito.

Quando a donzela se tornou mulher, seus pais morreram e foi por ela que Poseidon se apaixonou e teve filhos com ela. Ela morava na montanha da planície, que foi cercada de canais circulares e concêntricos, alternando faixas de terra e água. Havia três faixas de água e duas de terra... [Os filhos]... eram cinco pares de gêmeos varões. Atlantis foi dividida em dez regiões: o mais velho do primeiro par, chamado Atlas, ficou com a ilha-colina onde morava sua mãe, que era um lugar magnífico e nomeado de Atlantic [Atlântica ou Atlântida]; e Atlas ficou sendo o rei de todo império. Os outros irmãos foram feitos príncipes por Poseidon. Eles governariam todos os homens. O gêmeo de Atlas, Gades ou Gaderius, ficou com terras interiores das colunas de Hércules.

O segundo par de gêmeos eram Ampheres e Evaernon; o terceiro, Mneseus e Autochthon [Autóctone]; o quarto par de gêmeos, Elasipo e Mestor; e o quinto, Azaes e Diaprepes. Todos estes e seus descendentes foram governantes de numerosas ilhas em mar aberto e também já foi dito que eles migraram para lugares distantes das colunas de Hércules, muito além do Tirreno e do Egito.

Atlas tinha, então, uma família numerosa e honrada e seus descendentes mantiveram o reino por muitas gerações e detinham muitas riquezas, tantas quantas jamais foram possuídas por outros reis e potentados. muitas especiarias eram trazidas de países estrangeiros mas a ilha era auto-suficiente e fornecia tudo que era necessário a uma vida confortável. O subsolo possuía minerais e um precioso metal do qual hoje só resta o nome: orichalcum.

Também havia florestas abundantes de onde se extraía a madeira e campos que alimentavam pessoas e animais domésticos e selvagens. Havia um grande número de elefantes na ilha Atlântica e outros variados tipos de animais, de lagos e montanhas, rios e planícies. [Os atlânticos possuíam também deliciosas] ... fragrâncias, perfumes, extraídos de raízes, ervas, flores e frutas. [Havia pomares ... e templos, palácios, portos, docas. Os palácios no interior da cidadela eram construídos com um templo, dedicado a Cleito e Poseidon no centro, extremamente inacessível e rodeado de ouro; foi o lugar onde nasceram os dez príncipes e onde eram realizados rituais anuais... Todo o exterior do templo era coberto de prata, e os pináculos [torres] de ouro. O interior do templo era de mármore decorado com ouro, prata e orichalcum... estátuas de ouro, como a do próprio deus [Poseidon] em sua carruagem de seis cavalos alados, cercado de Nereidas e golfinhos... Do lado de fora, rodeando o templo, havia vinte estátuas de ouro, representando os príncipes e suas mulheres... Havia fontes de água quente e fria... Havia muitos templos dedicados a muitos deuses... jardins e lugares para o laser. Alguns somente para os homens... [e havia haras, pistas para cavalos]... As docas estavam sempre repletas de naus trirremes e armazéns por onde circulavam mercadores de todo o mundo... ?

O TEXTO DE PLATÃO TERMINA ABRUPTAMENTE

Atlântida seria uma ilha de extrema riqueza vegetal e mineral. Não só era a ilha magnificamente prolífica em depósitos de ouro, prata, cobre, ferro, etc., como ainda de oricalco, um metal que brilhava como fogo.


Os reis de Atlântida construíram inúmeras pontes, canais e passagens fortificadas entre os seus cinturões de terra, cada um protegido com muros revestidos de bronze no exterior e estanho pelo interior. Entre estes brilhavam edifícios construídos de pedras brancas, pretas e vermelhas.


Tanto a riqueza e a prosperidade do comércio, como a inexpugnável defesa das suas muralhas, se tornariam imagens de marca da ilha.


Pouco mais se sabe de Atlântida. Segundo Platão, esta foi destruída por um desastre natural (possivelmente um terremoto ou maremoto) cerca de 9000 anos antes da sua era. Crê-se ainda que os atlantes teriam sido vítimas das suas ambições de conquistar o mundo, acabando por ser dizimados pelos atenienses.
Outra tradição completamente diferente chega-nos por Diodoro da Sicília, em que os atlantes seriam vizinhos dos líbios e que teriam sido atacados e destruídos pelas amazonas.
Segundo outra lenda, o povo que habitava a Atlântida era muito mais evoluído que os outros povos da época e, ao prever a destruição iminente, teria emigrado para a África, sendo os antigos egípcios descendentes dos atlantes.



Na cultura pop do séc. XX, muitas histórias em quadrinhos, filmes e desenhos animados retratam Atlântida como uma cidade submersa, povoada por sereias ou outros tipos de humanos subaquáticos.
Teorias e hipóteses sobre sua existência
O tema Atlântida tem dado origem a diferentes interpretações, das cépticas às mais fantasiosas. Segundo alguns autores mais céticos, tratar-se-ia de uma metáfora referente a uma catástrofe global (identificada, ou não, com o Dilúvio), que teria sido assimilada pelas tradições orais de diversos povos e configurada segundo suas particularidades culturais próprias. Consideram também que a narrativa se insere numa dada mitologia que pretendia explicar as transformações geográficas e geológicas devidas às transgressões marinhas.

Teoria do antigo continente

Há ainda a versão, como a defendida pelo cientista brasileiro Arysio Nunes dos Santos, segundo a qual Atlântida seria nada mais do que o nome grego para uma civilização ancestral, que teria sido descrita com diferentes nomes nas mais diversas culturas. Para Arysio, a Atlântida supostamente real ficaria próxima à Indonésia e diversos povos do mundo, como os gregos, hindus e tupis, seriam descendentes dos atlantes. Ainda, segundo essa teoria, diversas descobertas científicas como a criação de determinadas culturas agrícolas e do cavalo, seriam tributárias dos atlantes; e a causa da submersão da cidade/continente e do dilúvio teriam sido devidas a uma bomba atômica.


Teoria de Tântalis

Alguns pesquisadores acreditam que a Atlântida, nome derivado do deus Atlas, é uma releitura grega da antiga cidade, também perdida, de Tântalis, nome derivado do deus Tântalo. A lenda de Tântalo seria essencialmente a mesma de Tântlis, sendo tântalo uma releitura lídia de Atlas. A Atlântida então, segundo essa versão, nada mais seria que a versão grega da antiga capital da Lídia, Tântalis, conhecida também como Sipylus, que se localizava nas terras de Arzawa, situada na costa ocidental da Anatólia. Segundo escritos antigos e autores clássicos, a cidade antiga de Tântalis sucumbiu, devido a um grande terremoto que despedaçou o monte Sipylus, afundando, após isso, nas águas que brotaram de Yarikkaya, uma ravina profunda, transformando-se no lago Saloe. Durante o século XX, o lago Saloe, último vestígio de Tântalis, foi esvaziado sem cerimônia para abrir mais espaço para a agricultura.

Teoria da Antártida

Na década de 1960, o professor Charles Hapgood, tentando entender como ocorreram as eras glaciais, propôs a teoria de que o gelo que se acumula nas calotas polares provocaria um peso suficiente para que o polo terrestre se deslocasse sobre a superfície da Terra, carregando outro continente para o polo e causando uma era glacial nesse lugar. Segundo essa teoria, uma parte dos Estados Unidos já teria se tornado o pólo norte e a Antártida já teria se localizado mais acima no Oceano Atlântico, entre a Argentina e a África. Se valendo dessa teoria, o polêmico jornalista britânico Graham Hancock propôs que o continente perdido de Atlântida seria, nada mais, do que a Antártida antes do último período glacial, quando estaria mais alta no Oceâno Atlântico, e as cidades Atlântidas, por sua vez, estariam em baixo de grossa camada de gelo, tornando impossível sua investigação arqueológica.

Essa teoria seria ainda confirmada por uma mapa, o mapa dos antigos reis dos mares, feito por Piri Reis no século XVI, baseado em mapas antigos, que mostra um estranho formato para a América do Sul, que seria não a América do Sul, mas sim a Antártida na sua localização não polar. Essa teoria é aceita por alguns, porém não pelos estudiosos atuais que afirmam que o peso dos pólos não seria suficientemente grande para fazer mover os continentes na superfície da Terra, e, ainda, descobriram que o mapa de Piri Reis é realmente o mapa da América do Sul, porém, tendo como referência a cidade do Cairo, o que deu um formato diferente ao continente. Ainda, fotos de satélite tiradas a partir da cidade do Cairo, comprovaram que o formato da América do Sul, vista do Cairo, é como o mostrado no mapa. Outro problema encontrado com esse mapa é que sem o gelo a Antártida teria um formato diferente do que o mostrado, já que o nível da água subiria e deixaria aquele continente com várias ilhas.


Teoria extra-terrestre

Uma das mais polêmicas teorias sobre a Atlântida foi proposta recentemente pelo pesquisador Prof. Ezra Floid. Partindo do desenho de cidade circular descrito por Platão, Floid propõe que Atlântida se tratava de uma gigantesca nave espacial, um disco-voador movido à hidrogênio, hidromagnetismo, com uma usina central de Hidro-Forças, chamada de Templo de Poseidon: um imenso OVNI descrito por muitas culturas como "A Ilha Voadora" (citada em Viagens de Gulliver), relacionada com a Jerusalém Celestial descrita na Bíblia, à Purana Hindu que desce do Céu, o Disco Solar dos Astecas, Maias, Incas e Egípcios.

Sendo Atlântida uma missão colonizadora, ela teria estado em muitos pontos da Terra, pois se locomovia e se instalava em regiões; este teria sido o motivo pelo qual sua presença ora é imaginada no Mediterrâneo, ora na Indonésia, ora no Atlântico, nos Pólos e nos Andes: Atlântida seria a mesma nave descrita na epopéia dos Sumérios. Segundo esta teoria inovadora do professor Ezra Floid, Atlântida não teria submergido catastroficamente, mas intencionalmente, como parte do projeto colonizador que seu povo realizava no planeta. Após permanecer algum tempo no fundo do mar como cidade submarina, o disco-voador atlante teria usado também a hidroenergia de emersão para lançar-se diretamente no espaço sideral, provocando com sua massa e seu arranque poderoso uma enorme onda circular de tsunami no oceano onde estaria oculta. Os sobreviventes deste tsunami, após a tragédia, teriam julgado que Atlântida havia afundado. No entanto, os atlantes apenas teriam voltado para seu sistema natal.


Hipóteses sobre a localização geográfica

Há diversas correntes de teóricos sobre onde se situaria Atlântida, e sobre quem teriam sido seus habitantes. A lenda que postula Atlântida, Lemúria e Mu como continentes perdidos, ocupados por diferentes raças humanas, ainda encontra bastante aceitação popular, sobretudo no meio esotérico (não confundir com os antigos continentes que, de acordo com a teoria da tectónica de placas existiram durante a história da Terra, como a Pangéia e o Sahul).

Alguns teóricos sugerem que Atlântida seria uma ilha sobre a Dorsal Oceânica que - no caso de não ser hoje parte dos Açores, Madeira, Canárias ou Cabo Verde - teria sido destruída por movimentos bruscos da crosta terrestre naquele local. Essa teoria baseia-se em supostas coincidências, como a construção de templos em forma de pirâmide na América, semelhantes às pirâmides do Egito, fato que poderia ser explicado com a existência de um povo no meio do oceano que separa estas civilizações, suficientemente avançado tecnologicamente para navegar à África e à América para dividir seus conhecimentos. Esta posição geográfica explicaria a ausência concreta de vestígios arqueológicos sobre este povo.

Alguns estudiosos dos escritos de Platão acreditam que o continente de Atlântida seria na realidade a própria América, e seu povo culturalmente avançado e coberto de riquezas seria o povo Chavín, da Cordilheira dos Andes, ou os olmecas da América Central, cujo uso de ouro e pedras preciosas é confirmado pelos registros arqueológicos. Terremotos comuns nestas regiões poderiam ter dado fim a estas culturas, ou pelo menos poderiam tê-las abalado de forma violenta por um período de tempo. Através de diversos estudos, alguns estudiosos chegaram a conclusão que Tiwanaku, localizada no altiplano boliviano, seria a antiga Atlântida. Essa civilização teria existido de 17.000 a.C. a 12.000 a.C., em uma época que a região era navegável. Foram encontrados portos de embarcações em Tiwanaku, faltando escavar 97,5% do local.

Para alguns arqueólogos e historiadores, Atlântida poderia ser uma mitificação da cultura minóica, que floresceu na ilha de Creta até o final do século XVI a.C. Os ancestrais dos gregos, os micênicos, tiveram contato com essa civilização culturalmente e tecnologicamente muito avançada no início de seu desenvolvimento na Península Balcânica. Com os minóicos, os micênicos aprenderam arquitetura, navegação e o cultivo de oliveiras, elementos vitais da cultura helênica posterior. No entanto, dois fortes terremotos e maremotos no Mar Egeu solaparam as cidades e os portos minóicos, e a civilização de Creta rapidamente desapareceu. É possível que as histórias sobre este povo tenham ganhado proporções míticas ao longo dos séculos, culminando com o conto de Platão.

Uma formulação moderna da história da Atlântida e dos atlantes foi feita por Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Teosofia. Em seu principal livro, A Doutrina Secreta, ela descreve em detalhes a raça atlante, seu continente e sua cultura, ciência e religião. Existem alguns cientistas que remetem a localização da Atlântida a um local sob a superfície da Antártica.

A localização mais recente foi sugerida pela imagem obtida com o Google Earth por um engenheiro aeronáutico e publicada no tablóide The Sun, mostrando contornos que poderão indicar a construção de edifícios numa vasta extensão com dimensões comparáveis ao País de Gales e situado no Oceano Atlântico, numa área conhecida como o abismo plano da Ilha da Madeira.

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